AnimeTopic 030 – K (1° temporada)

AnimeTopic 030 – K (1° temporada)

  Sete destinos entrelaçados, sete histórias diferentes que se cruzam, o caminho que Sete Reis decidiram tomar. K é a história desses reis, que colidiram seus destinos quando uma tragédia decaiu sobre o vermelho.

K é um anime que dá continuidade a série de mangás de mesmo nome escritos pelo grupo GORA, que também escreveu o roteiro do anime. Foi produzido pelo Estúdio GoHands ente 2012 e 2014, sobre direção principal de Shingo Suzuki. O anime conta com duas temporadas, um filme e uma série de filmes denominada como “Seven Stories”, que adaptam os mangás que contam histórias antes do início do anime. Neste texto irei falar apenas sobre a primeira temporada, que pode ser encontrada para assistir na Netflix.

Em K somos apresentados ao conceito dos Sete Reis, que são sete indivíduos com incríveis habilidades sobrenaturais que podem dividir parte de seu poder com outras pessoas e formar “clãs”. Quando um novo Rei Incolor (o mais temido entre os sete por ser imprevisível) aparece e causa uma tragédia no clã vermelho, o caos se inicia e no meio disso tudo está Yashiro Isana, que é confrontando por Kuro Yatogami, vassalo do antigo Rei Incolor, afirmando que o jovem é o novo e maligno Sétimo Rei. Junto a Neko, uma jovem Strain (pessoa com poderes sem relação a nenhum clã), Shiro pretende provar para Kuro sua inocência e acalmar as tensões entre os clãs, especialmente entre o clã Vermelho e Azul.

K é uma obra que começa confusa, somos simplesmente jogados no mundo do anime em meio a um problema acontecendo. Não entendemos o porque das coisas acontecerem ou o que exatamente está acontecendo, e isso está um pouco longe de ser um problema para a narrativa. Junto com os mistérios que já nos são apresentados durante a trama, é interessante aprender aos poucos sobre como o mundo e poderes funcionam na série, que por si só são bem criativos e funcionam perfeitamente para o contextos de fantasia urbana que a série tem.

Na primeira temporada vamos acompanhar basicamente a procura pelo Rei Incolor do clã vermelho e por Shiro, para que este prove sua inocência, deixando assim muitos momentos de investigação que vão nos trazendo respostas, não só sobre esse caso, mas também sobre o mundo em que fomos jogados sem explicação nenhuma, e é interessante como essas informações se casam e acabam até sendo importantes para o decorrer do anime.

Uma coisa que dá muito potencial para a série são seus personagens, cada um com uma personalidade única e com seu próprio jeito de se mostrar carismático, como Kuro que brilha com seu comportamento de samurai honrado, Shiro que tem seu jeito mais de “malandro” e bobalhão, Neko com seu jeito brincalhão e assim por diante, cada um tem seu próprio traço de personalidade que o torna único. Não só isso mas as próprias visões que os personagens tem sobre algo, como Munakata que entende o poder que ele tem como Rei serve para trazer paz mantendo as regras sociais enquanto Mikoto vê seu poder como uma forma de liberdade e a força bruta como forma de proteger alguém.

As relações de personagens também são muito interessantes, como a de Fushimi, um ex-vermelho que debandou para o clã azul, com Yata, membro do clã vermelho, que eram melhores amigos antes da traição de Fushimi e atualmente tem uma relação de amor e ódio um para o outro, principalmente devido a suas personalidades conflitantes. A relação entre Mikoto (Rei Vermelho) e Munakata (Rei Azul) é baseada em uma rivalidade respeitosa, basicamente um confronto de ideias e visões sobre poder que acabam completando um ao outro.

Ainda no tópico personagens, é importante falar sobre a peça principal de tudo, Tatara Totsuka, o membro do Homra (clã vermelho) que foi morto pelo Rei Incolor. Apesar de pouco aparecer em tela, sua presença é de extrema importância, afinal aprendemos que ele moldou o caráter de Mikoto como rei, fazendo ele enxergar o poder como algo para proteger quem ama, e é até interessante ver como essa visão fez Mikoto se tornar uma bomba relógio durante a série.

É muito bom como o anime aborda a questão da formação dos “clãs”, cada um funciona de forma diferente de acordo com a personalidade do Rei no comando, como por exemplo o Scepter 4, o Clã Azul de Reisi Munakata, que trabalha como uma força policial para conter os danos causados pelos próprios clãs e Strains; o Homra, clã vermelho de Mikoto Suoh funciona basicamente como uma gangue. Isso trás uma grande diferenciação pra cada grupo e até as relações entre seus membros.

O anime também trabalha muito bem seus mistérios. Ele chega até a ser um tanto imprevisível em alguns momentos, sendo o plot twist de Shiro algo muito interessante e até uma nuance da personalidade da Neko, mostrando um lado mais egoísta da personagem. Não só isso, mas também casou perfeitamente com o desenvolvimento da relação entre Kuro e Shiro, mostrando um enorme respeito mútuo entre os dois.

K é algo perfeito em seus termos técnicos, com uma animação linda e fluída, junta de uma incrível trilha sonora, direção e excelentes coreografias de batalha, e usos muito criativos dos poderes apresentados no anime, a produção chega a ser um grande show a parte.

Com ótimos personagens, uma trama que gera uma confusão (no bom sentido) e uma temática extremamente criativa e interessante, K é uma excelente pedida de uma série Shounen de fantasia urbana, que vai no mínimo fazer o telespectador se divertir bastante.

Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?