Crítica | Harry Potter e a Câmara Secreta – J.K. Rowling

Crítica | Harry Potter e a Câmara Secreta – J.K. Rowling

  Um ano após o lançamento e sucesso do primeiro livro, J.K. Rowling repete a estrutura do ano letivo que introduziu Harry a Hogwarts, acrescentando mais mistérios mais densos aqui e ali e introduzindo novos personagens que viriam a ser mais presenciais para o enredo de toda a saga.

A raiz da história é semelhante ao livro anterior, mas com ramificações diferentes e pequenos ganchos para os futuros livros. Harry passa pelos problemas de sempre por ser famoso, porém dessa vez tendo que aturar situações mais sérias, visto que muitos acreditam que ele seja o herdeiro de Salazar Sonserina. Isto começa a criar um senso de maturidade no menino, ajudando no desenvolvimento de seu persoangem. Rowling poderia ter dado um tom mais infantil, isso se a razão do herdeiro não fosse expulsar e até mesmo matar todos os mestiços da escola (alguém que tem pai ou mãe trouxa), e é aqui onde a autora começa a inserir as pautas sociais. Isso é feito com sutileza e com coesão dentro dos elementos que haviam sido apresentados até então, razão pela qual não me desce todo o ataque sem necessidade à autora pelos justiceiros da internet.

Rony e Hermione então são puxados juntos com Harry nessa trama, repetindo as quebras de normas da escola para descobrir mais sobre o principal mistério daquele ano: a existência da Câmara Secreta. Esta que, mesmo na idade que estou agora, permanece me dando calafrios. A descrição de Rowling sobre os aspectos da câmara nos remete a um ambiente sem entrada de luz e pincelado de verde, com a estátua de seu fundador lá no alto onde é quase impossível ver seu topo, nos dando uma euforia a mais na batalha dentro dela durante o clímax certeiro obra (diferente do final anticlimático do primeiro). A própria existência da câmara e os ataques do monstro que há dentro dela espalham o medo terror por toda a escola, permitindo assim uma verossimilhança muito maior para acreditarmos que as pessoas lá dentro realmente correm perigo, além, é claro, de movimentar o aprofundamento e de muitos personagens e nosso interesse por eles.

A autora também usa esse mesmo recurso junto com a expansão do conhecimento do leitor acerca do mundo bruxo, adicionando detalhes mais pés no chão sobre esse universo e que aumentam a coexistência com nossa própria sociedade. O melhor exemplo disso é a introdução do Ministério da Magia, que regula leis e tem seus próprios departamentos sobre cada coisa relacionada tanto ao mundo bruxo quanto ao mundo trouxa. Mesmo podendo fazer magia, os bruxos não podem sair por aí fazendo o que bem quiserem como se não houvesse limites. É um recurso muito bem-vindo para que os personagens criem o senso de hesitação na hora de cometer qualquer ação. Os torna mais críveis e humanos.

E, quando digo sobre a repetição da estrutura e ritmo, estou bem longe de tecer um comentário negativo. Toda receita é boa se você souber até onde ir antes de mudar. E é o caso aqui. O ritmo do livro permanece sendo envolvente e sem grandes enrolações. Você não sente nenhuma presença sendo inserida sem razão ou nexo aqui. Estes novos acertos, portanto, acabam ofuscando o velho erro crasso da autora nos seus diálogos. Todos praticamente falam da mesma maneira e, se não fosse pelas extensões de falas, ficaria muito fácil confundir quem está falando o quê.

A Câmara Secreta segue a linha do primeiro livro e introduz novos e importantes elementos para a saga no geral, tendo um toque mais sombrio do que seu antecessor e sendo mais solto quanto suas raízes. É uma obra que reflete a qualidade e importância d’A Pedra Filosofal, mas sem soar genérica e tendo seu próprio tom. Tom… hm…

Astranum

Mesmo tendo iniciado minha jornada mundo afora bem cedo através de uma escola de magia num castelo camuflado, foi numa colina em Long Island com campos de morangos que encontrei o lugar ao qual posso agradeçer por ter feito parte da minha juventude. Hoje vivo transitando entre o Templo do Ar do Leste e uma cafeteria em Shibuya.