Crítica | Loki 1×01: “Glorioso Propósito”

Crítica | Loki 1×01: “Glorioso Propósito”

Num intervalo de 6 meses, a Marvel estreia sua terceira série da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel e, já nos primeiros 10 minutos, fica evidente que Loki era a ideia principal que a Casa das Ideias teve quando pensaram em expandir seu universo para as séries de streaming. Loki, em seus primeiros 10 minutos, já mostra ter recebido um investimento financeiro muito maior que WandaVision e Falcão e o Soldado Invernal, resultando num início onde você é absorvido por tudo que está dentro da tela.

Somos apresentados a Agência de Variância Temporal (AVT), uma organização universal que é responsável por manter a ordem na linha do tempo natural dos multiversos. E exatamente por isso Loki é detido pelos agentes desta agência quando o sua versão de 2012 escapa usando o Tesseract, como mostra Vingadores: Ultimato.

Já de cara, deixe-me rasgar elogios para a AVT. A construção da agência é ESPETACULAR tanto na parte visual quanto técnica! Como dito anteriormente, o investimento nessa série foi mais pesado, culminado em cenários belíssimos, paletas de cores cativantes e uma fotografia com tons de sépia. A consequência é uma atmosfera alienígena onde a “divindade” do Loki não é porcaria nenhuma, mas ao mesmo tempo ela é acolhedora e familiar, nos lembrando também dos anos setenta, mas de um lugar fora de época também. Junte isso com a burocracia engraçada do lugar e temos, de longe, meu cenário preferido já criado pelo UCM.

Por ser um episódio de estreia, ele investe nas apresentações dos elementos e da premissa da série, também servindo lembrar que este Loki é o de 2012, e aqui o showrunner Michael Waldron manda bem em juntar uma série de memórias futuras (o Loki pós 2012) e jogar tudo na nossa cara e do atual Loki, fazendo com que relembrássemos dos eventos até a morte do vilão em Guerra Infinita e mostrasse de forma “terapêutica” aos Deus da Trapaça que ele é não passa de uma farsa (com o perdão do trocadilho). O roteiro também já nos mostra a ótima interação entre o personagem principal e do “bom policial” Mobius (Owen Wilson), em um timing cômico que beira o impecável ao usar de cortes precisos entre um personagem e outro, e não artifícios baratos como piadas fora de hora. Não. Todos os momentos de humor aqui estão ligados a personalidade de cada um.

O primeiro episódio de Loki não é só uma estreia que cumpre seu papel. Ele sai fora da caixinha ainda mais do que WandaVision fez em sua estreia e vira quase tudo de cabeça para baixo, o principal exemplo sendo a gaveta de tralhas do personagem Casey estar cheia de joias do infinito misturadas com outras coisas banais, já que, ali na AVT, as pedras responsáveis por dizimar meio universo não são mais do que peso de papel. Ah, que subversão fantástica!

Ao final, começamos a elaborar as teorias para os episódios seguintes e o restante do UCM. E, pela construção que este episódio teve, notamos que aqui sim nós podemos brincar com nossas teorias paranoicas da mesma maneira que o roteiro brinca com os elementos que foram construídos por anos. Mesmo que a mudança não aconteça em larga escala pelos filmes que virão, as qualidades isoladas desta série já vale o nosso tempo.

Astranum

Mesmo tendo iniciado minha jornada mundo afora bem cedo através de uma escola de magia num castelo camuflado, foi numa colina em Long Island com campos de morangos que encontrei o lugar ao qual posso agradeçer por ter feito parte da minha juventude. Hoje vivo transitando entre o Templo do Ar do Leste e uma cafeteria em Shibuya.