Crítica | WandaVision: 1×08 “Nos Episódios Anteriores”

Crítica | WandaVision: 1×08 “Nos Episódios Anteriores”

  Que todas as peças começariam a se juntar para bolar o multiverso da loucura na continuação de Doutor Estranho não era surpresa pra ninguém. Revelações aqui e ali para que haja aperto em nossa respiração diante das cartas viradas na mesa são o que fazem da Marvel a Marvel, nos entregando cada vez mais, e dessa vez de um jeito bem fora da curva, um universo compartilhado que se estende pelo horizonte.

Após um flashback de quase meio século nos contando mais sobre a nova dona do pedaço, o episódio todo segue como um pátio de lembranças de Wanda, que vão da sua infância até o momento da invasão à S.W.O.R.D. Eu não estava esperando isso após o final do episódio anterior, e até acredito que seguir com a narrativa para a frente ao invés de mostrar apenas flashbacks seria muito melhor. Mas essa estrutura funciona. Os flashbacks são inseridos de maneira criativa dentro da história através de feitiços da Agatha. Dando explicações até mesmo sobre as próprias explicações, mas sem cair na armadilha de diálogos expositivos, tendo então o que já considero meu episódio favorito até então. Foi o que mais me tocou emocionalmente e me encantou com o desempenho das atrizes.

Ambas estão afiadas com as cargas emocionais de suas personagens, mas, a bem da verdade, a feiticeira antagonista rouba quase todo o show para ela. Kathryn Hahn está poderosa demais! Agatha é uma personagem que, mesmo com seus desejos sendo expostos, sua verdadeira motivação ainda permanece sendo um mistério, enquanto seu brilho em cena só aumenta. Seria um verdadeiro desperdício para todo os futuros projetos da Marvel que esta personagem fosse descartada precocemente.

Mas mesmo um tanto opaca quanto a vilã, Wanda nem de longe fica para trás. Olsen nos entrega uma de suas interpretações mais intimistas com sua personagem. Através dessas rebobinagens, quem além de nos revelar o porquê dos sitcons, vamos descobrindo mais e mais desgraças acontecendo com a sokoviana. Temos então uma das cenas mais belas e intimistas de todo o MCU. Uma singela conversa de recém-conhecidos que viriam a ser as estrelas de seu próprio show anos depois desse diálogo.

Foi um acerto também fugir da estrutura padronizada lá no episódio 5 de ficar alternando os dois lados do campo. O capítulo todo é de Wanda, Agatha e Visão, este que também merece aplausos mesmo com pouco tempo em tela. Vivo, pelo menos… Paul Bettany continua não decepcionando ao tentar inserir sentimentos em um robô. Isto é feito de forma tão precisa que, se você prestar atenção, vai ver nos flashbacks seu comportamento cauteloso em relação aos sentimentos humanos, mesmo com um conhecimento colossal. Isso o dá uma aura de timidez, que, ao lado de Wanda pelas primeiras vezes, soa até mesmo fofo ao tentar confortar uma moça atormentada pelas perdas na vida.

Faltando agora 2 episódios para seu final, o que sei que posso esperar a partir de agora é uma batalha poética entre o sintozóide restaurado pela S.W.O.R.D. e a agora oficialmente nomeada Feiticeira Escarlate. Posso dizer agora uma coisa em segurança, depois de muito tempo entalado na garganta e após rasgar vários elogios para a série: Senhoras, senhores: bem-vindos a fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel. Estamos diante de uma nova e grandiloquente era que está apenas começando. “O que é do luto senão um amor que se perdura?”, afinal? Ah, se Stan Lee ainda estivesse aqui…

 

Astranum

Mesmo tendo iniciado minha jornada mundo afora bem cedo através de uma escola de magia num castelo camuflado, foi numa colina em Long Island com campos de morangos que encontrei o lugar ao qual posso agradeçer por ter feito parte da minha juventude. Hoje vivo transitando entre o Templo do Ar do Leste e uma cafeteria em Shibuya.