Crítica | WandaVision: 1×09 “O Grande Final”

Crítica | WandaVision: 1×09 “O Grande Final”

 Um amálgama de sensações mistas passou por mim enquanto eu assistia o último episódio, como se eu estivesse satisfeito e indignado com o que estava vendo. Era inevitável que o formato do episódio destoasse do início peculiar da série. Ainda assim, também ficou inegável que a série trilhou pelas alturas, não tendo nenhum episódio que ficasse abaixo da média, mesmo com alguns pontinhos aqui e ali que tentavam puxá-la para baixo. Comecemos por eles então.

A atenção que deram para o vilão Hayward foi bem amargo. Resumi-lo a um agente da S.W.O.R.D. que buscava apenas reviver uma arma senciente já não estava muito convincente. Ao adicionar aqui o toque da clandestinidade, onde ele fazia esse projeto de maneira ilegal, a situação fica mais engraçada. Por que não inserir ele em um contexto maior? A humanidade acabou de se restaurar e muitos heróis já não caminham mais entre nós. Aqui temos uma abertura enorme para que o Coronel Ross enfiasse o nariz em todo os projetos militares possíveis, este renascimento do Visão sendo um deles. A conclusão então foi que Hayward foi detido, preso e… só. Duvido que ele apareça de novo algum dia, mas tanto faz…

Ainda nos vilões, temos Agatha, e aqui fiquei no meio-termo. A personagem, quando se revelou, precisou de menos de dois minutos para roubar a cena, brilhando ainda mais que nossa protagonista no episódio seguinte. Aqui, no final, também teve o destaque que merecia, expondo os erros de Wanda contra ela própria ao seu ponto de vista. Ao ser derrotada, a Feiticeira Escarlate a converteu para Agnes novamente. E não, este desfecho para a vilã não foi ruim, no entanto fico com aquele medo de que a personagem nunca mais apareça. E aqui SIM seria um desperdício imenso para o UCM.

A Marvel vai além nas pegadinhas e desaba qualquer teoria sobre o queridinho dos X-Men da FOX. Pietro nada mais era que um cidadão qualquer de Westview (qual era o nome dele mesmo?) sob o controle da vilã. A escalação do Evan Peters para o papel foi o que causou todo o alvoroço, e este retorno do Pietro poderia não funcionar se fosse qualquer outro ator, por mais que o personagem em si fosse qualquer. Inteligente e enganador ao mesmo tempo.

Antes de seguir para os elogios que esse episódio merece, fica aqui o aviso então: Nunca critique algo por não ter feito aquilo que nunca nem sequer tentara fazer. Ainda mais por causa de suas próprias fantasias mentais. A série nunca teve a intenção de enfiar universos novos e personagens conhecidos por puro fan-service, mas sim contar a história de uma mulher em luto, com poderes além da própria imaginação e sem saber para onde ir. É a história e os personagens acima das referências (ainda que elas estejam aqui. E uma em específico que me deu estase).

Esse tratamento mais conciso então é o que fez o episódio e toda a série funcionar. Peguemos a brilhante batalha entre os Visões. A CW devia ter uma aula de como se usa diálogos como arma em luta. Dois sintozóides com velocidade e força sobre-humana, capacidade de vôo e intangibilidade. E como eles se resolvem? Numa discussão metafórica sobre quem é cada um deles, culminando então no renascimento do Visão, agora branco e sem a joia da mente, mas vivo em “carne e osso” e desaparecido no meio do planeta, certamente já presente em algum próximo filme.

Até mesmo Célere e Wiccano, que se vão junto com a realidade de Wanda no final do episódio, são destaques. Ambos servem para mostrar o lado humano que ainda resta dentro de Wanda, esta que, como vemos na última cena pós créditos, parece ter encontrado alguma forma de trazê-los à nossa realidade através do Darkhold.

O Darkhold. O Dark. Hold. Assistam a quarta temporada de Agents Of S.H.I.E.L.D. Eu suplico.

Certo, voltando para a série do momento.

Dado à falha em como a série trata Hayward, temos uma brecha para uma participação maior do querido John Woo, que sem a menor sombra de dúvidas vai voltar em Quantumania, de Darcy, que também vai voltar em Amor e Trovão, e a nova heroína Monica em Capitã Marvel 2. Esta até mesmo podendo ter um show próprio visto a primeira cena pós-créditos. Resta esperar.

E Wanda. Sempre a Wanda. Eu poderia cuspir elogios sem fim para Elizabeth Olsen e sua atuação, mas já chegamos ao ponto de chover no molhado. O maior acerto aqui foi justamente a não inserção de mais elementos dentro da série para que o show de Wanda permanecesse sendo dela. Pois é muito mais que merecido. Temos então todo um trabalho de personagens com entrelinhas que discutem pautas sociais e mexem com os cinco estágios do luto. É uma ótima realização da emancipação feminina que não soa como uma simples pauta. É feito desde o primeiro episódio com pinceladas aqui e ali (como as menções aos heróis mais poderosos) e que correm junto com o ritmo da série. Defendo novamente a contenção da série em não apresentar nada grandiloquente que viesse a tirar o destaque da protagonista e nem causar um deus ex-machina na série, consequentemente apagando esta discussão.

Com todas essas decepções fantasiosas acontecendo na cabeça dos nerdolas, muitos não vão conseguir enxergar em como essa série trabalha de maneira muito agridoce seus elementos. Já dizia um filme de super-herói por aí que levou a estatueta máxima da Academia e tem conhecimento no campo da inesperada virtude da ignorância: “As pessoas querem explosões e violência, não diálogos.”

A primeira temporada de WandaVision entra no meu panteão de obras favoritas do UCM por ter um frescor límpido, identidade própria, elementos que atacam minha nostalgia, atuações mais do que prazerosas e uma história mais intimista dentro da verborragia aventuresca que compõem o universo audiovisual da Marvel/Disney. Foi uma viagem deliciosa e que, no fundo, sei que ainda não acabou. Com certeza vai haver uma segunda temporada. O que resta agora é esperar pelo Falcão e Soldado Invernal, que ganhou ainda mais minha atenção agora que vi em como a Marvel sabe tratar personagens sem ter o fan-service barato como ás na manga.

 

Astranum

Mesmo tendo iniciado minha jornada mundo afora bem cedo através de uma escola de magia num castelo camuflado, foi numa colina em Long Island com campos de morangos que encontrei o lugar ao qual posso agradeçer por ter feito parte da minha juventude. Hoje vivo transitando entre o Templo do Ar do Leste e uma cafeteria em Shibuya.