Jujutsu Kaisen #1 | Muita informação para pouco carisma

Jujutsu Kaisen #1 | Muita informação para pouco carisma

Já enrolei demais pra fazer esse texto, tanto que a primeira temporada do anime já acabou, veja só!
Estamos voltando com os artigos volume-a-volume aqui no blog, é bem verdade que eles não estão com a frequência que deveriam muito em parte por irresponsabilidade minha, eu admito, mas vamos fazer um esforço de manter eles semanalmente. Dessa vez vai, eu garanto!

Bom, o mangá nos apresenta Yuji Itadori, um jovem com capacidades físicas absurdamente além de qualquer adolescente de seu colégio (ou até de professores), mas que acaba se juntando ao clube de ocultismo, por não querer assumir nenhum compromisso com outros clubes considerados “de verdade”. Durante uma das buscas de seu clube por coisas assustadoras, eles acham uma caixa com um objeto estranho que posteriormente Itadori descobre ser uma talismã responsável por afastar maldições do local, mas que por estar enfraquecendo, estava tendo o efeito contrário e atraindo maldições ao seu redor. Ao ver seus amigos correndo grave perigo sendo atacados pelas maldições, ele não consegue ficar parado e toma a iniciativa de lutar contra as maldições ao lado de Megumi Fushiguro, um desconhecido que se revela como um feiticeiro que caça e extermina essas maldições e, em meio a luta, Itadori toma uma decisão que mudará sua vida para sempre.

É inegável que foi um volume introdutório, como manda o figurino. Isso é uma característica bem clara do mangá, explorar bastante os clichês, não inventar nada revolucionário e saber fazer o básico muito bem feito, mostrando que não existe problema algum em usar um clichê desde que ao menos seja bem executado. O problema disso é que, como uma obra que se aproveita muito disso, fica difícil se aprofundar muito em qualquer conceito.

Isso acaba tornando tudo muito raso e superficial, e pra mim esse problema ficou bem claro no protagonista, Itadori, que acaba não tendo personalidade ou aspiração nenhuma. Isso fica perceptível quando paramos para pensar que o protagonista da história poderia ser o Megumi, só teríamos uma visão diferente dos acontecimentos porém o peso deles seria o mesmo, o resultado para o espectador seria o mesmo. Itadori acaba sendo somente alguém reativo a tudo que acontece a sua volta, você não sente um característica que o torne marcante, que te faça lembrar do porque ele vive do jeito que vive, porque faz o que faz. A reação pela morte de seu avó foi o ápice de o quão esquisito isso é.

Ainda sobre o Itadori, vemos sua “contraparte”(?), Sukuna, surgir após ingerir o dedo amaldiçoado. A criatura é o grande objetivo central da obra, com a busca por todas as suas partes, e como é um mangá que trata de criaturas místicas, somente a força física sobre-humana de Itadori não bastaria para lutar contra as maldições, então eu acho que essa será a necessidade da ligação com o Sukuna, pelo menos nesse início de mangá onde ainda não devemos ver muitos inimigos humanos. Então vai ser interessante ver como será trabalhada a relação entre os dois habitando o mesmo corpo, porém com Itadori percebendo que, embora tenha controle total quando trocar de lugar com Sukuna, não consegue enfrentar as criaturas sem a criatura. Ao mesmo tempo, é uma maldição como as outras, que inclusive já deixou bem claro que mataria todos os seus amigos se tivesse a chance.

Falando sobre sua relação com Sukuna, eu fiquei na esperança do Itadori ganhar um pouco mais de personalidade no momento que é convidado por livre e espontânea pressão a entrar no Colégio Técnico de Feitiçaria de Tóquio, em especial naquele teste de admissão. Mais uma vez um clichê, o momento em que o protagonista é confrontado sobre aquilo em que ele acredita, em que um fator externo o desafia a reavaliar suas convicções e isso acaba acontecendo, seja fazendo o protagonista cair em si e perceber que estava enxergando a situação pelo ângulo errado, ou em outras abordagens narrativas fortalecendo ainda mais o que ele acredita.

No caso de Jujutsu Kaisen, vemos o primeiro exemplo, com Itadori sendo questionado sobre viver sob os desejos que seu avô lhe deixou antes de morrer, de “ter uma morte digna, rodeada de amigos”, onde é mostrado a ele como viver baseado nos desejos de outra pessoa pode acabar se tornando um arrependimento para o resto de sua vida. É então que ele decide que dali em diante viveria para morrer sem arrependimentos, afinal reunir todos os pedaços do Sukuna e manter a criatura sobre controle até que pudesse ser morta é algo que só ele pode fazer.

O grande problema que tira o peso dessa situação é sabermos que ele morreria de qualquer forma, aceitando ou não entrar na escola, não é como se ele simplesmente não estivesse afim e pudesse ir para casa como o mangá sugere. Colocando dessa forma, com o espectador já sabendo que ele não teria escolha, faz essa decisão em específico não ser tão marcante quanto deveria.

Tirando esses dilemas não tão bem feitos assim do protagonista, não temos muito o que falar dos outros personagens da obra por enquanto. Eles acabaram sendo apenas os mais genéricos que poderiam ser, com Gojo sendo o sensei bobão e desligado de tudo, que tá mais do que na cara de ser muito mais forte do que aparenta, como o próprio diz quando se declara mais forte que o Sukuna; Meguni, que está lá para normalizar tudo que o protagonista acha fantástico, por já estar inserido nesse ambiente há mais tempo, mas que acaba sendo tão reativo quanto o próprio Itadori; e pra finalizar somos apresentados durante o volume a Nobara Kugisaki, a garota que compõe o grupo e parece ser a personagem mais crível até agora.

No começo temos a sensação dela ser só um alívio cômico, a garota fútil que veio para a escola de feiticeiros porque queria sair do interior e estar na cidade grande, mas quando chegamos em sua primeira luta contra a maldição que toma uma criança de refém, vemos que ela é, na verdade, uma garota assustada tentando lutar contra seus medos para enfrentar essas criaturas da maneira que pode. Ela chega a citar algo de seu passado, sobre uma garota que foi embora que provavelmente seja parte de sua motivação para enfrentar seus medos, então só nos resta aguardar os próximos volumes para saber mais sobre seu passado.

É um mangá divertido? sem dúvidas!
Jujutsu Kaisen não é uma leitura maçante, o volume passa rápido e te deixa ansioso por mais, principalmente com o gancho final da luta contra uma maldição que o grupo não consegue lidar, deixando nas mãos de Itadori e principalmente do Sukuna, voltando ao conceito de usar uma maldição para combater outra. Mais do que isso, a vontade de ver finalmente o Sukuna em ação em uma luta completa, ver o quão poderosa é essa temida criatura por todos.

Infelizmente a forma como ele se prende aos clichês impede uma apresentação melhor dos personagens, então por enquanto não tenho muito apego por nenhum deles, em especial ao protagonista, que deveria causar o efeito contrário disso. Agora é torcer por um foco maior no desenvolvimento dos personagens, ficou bastante coisa em aberto que pode ser trabalhada, como a fonte da força descomunal de Itadori que deve ter a ver com seus pais, que seu avô não conseguiu falar sobre eles antes de morrer; ou como citei acima, o passado de Nobara com Saori, a garota que ela cita na luta; ou até mesmo qualquer coisa sobre o Megumi, ele está totalmente aleatório na trama poxa!

Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?