Loki – 1ª Temporada | Crítica

Loki – 1ª Temporada | Crítica

° Contém spoilers

Vindo como a proposta principal nas séries da Marvel pro Disney+, Loki era a obra mais aguardada pelo público. E, após histórias mais contidas dentro de si mesmas nas duas primeiras séries, aqui tudo é finalmente ramificado (com o perdão do trocadilho) para abrir inúmeras possibilidades pro UCM, mesmo que pra isso seja sacrificado um pouco da própria essência.

Comecemos pela estrela: Tom Hiddleston. A esta altura, não é surpresa de que o ator ama estar no papel do deus da Mentira. Esta leveza com seu personagem o deixa mais solto e a vontade para incorporar Loki e nos convencer daquele mantra de que “tal ator fora feito para fazer tal personagem”. E se engana quem acredita que isso o faz agir no piloto automático (cofcofTomHollandcofcof). Hiddleston não exagera nem faz feio nas partes mais profundas sobre os medos e inseguranças do personagem, nos mostrando o interior de Loki (isso é mais intensificado no primeiro e os dois últimos episódios).

Sylvie, por sua vez, não vai parar por aqui. A atriz Sophia Di Martino veio para ficar e já conquistou atenção de todos com um carisma próprio sendo a versão feminina de Loki. Contracenando tanto com Hiddleston e Owen Wilson (outro que também não faz feio e está a vontade no papel), a sinergia é sincera. A famosa química.

Com 6 episódios, acompanhamos o anti-herói, sua versão feminina (Sylvie) e Mobius para desvendar os segredos da AVT e derrubá-la a partir do episódio 4. A série começa a engrenar de verdade neste ponto, tendo seu ápice no episódio 5 (“Journey Into the Mystery”). Múltiplos Lokis no fim dos tempos de nossa linha temporal lutando para sobreviver foi, além de um incrível deleite de fanservice bem dosado, muito bem trabalhado e dentro da lógica do personagem (que já está virando uma ideologia, se pararmos pra pensar).

A aventura em si dispensa comentários: cenários planetários e galácticos bem construídos, atuações mais do que convincentes, uma trilha sonora que nos remete MESMO ao fim do tempo (repare como tudo da AVT ou até mesmo a cidadela no final da linha do tempo nos dá aquela sensação de estarmos no limite da existência da vida, e isso graças a trilha) e ganchos que conectam a série com o universo compartilhado do estúdio. E aí entra a pedra no sapato.

Após a morte de um vilão que basicamente surge aos 45’ do segundo tempo e em seguida é morto por Sylvie, o Glorioso Propósito da série é então alcançado. O Multiverso. Criar ramificações na linha do tempo que vai ser a porta de entrada para as infinitas possibilidades e explicações narrativas para com todo o UCM (porque não MCM, agora?). Mas veja bem: não era necessário que, para isso, algumas abordagens da série fossem sacrificadas. A principal delas sendo o desenvolvimento do próprio Loki, um personagem com camadas muito boas para se explorar e que agora serão provavelmente escondidas novamente. Fora que, por sua vez, mesmo com uma segunda temporada confirmada, até mesmo Breaking Bad é uma obra com início, meio e fim em cada uma de suas temporadas. Não é o caso aqui, seus ganchos são tão grandes que sua conclusão é esquecida ou até mesmo inexistente.

A primeira temporada de Loki tem pontos altos que são muito altos e pontos baixos que são baixos por deslizes e falta de atenção. O potencial está aqui. Em Hiddleston e Di Martino com o drama de seus personagens fadados ao fracasso, em Wilson com sua leveza e curiosidade fofa, em “Aquele Que Permanece” pela graciosidade e voz de veludo de Jhonatan Majors (se esse cara realmente interpretar Kang, o Conquistador nessa nova etapa do MCU pode ter certeza de que vilão ruim ele não vai ser) e até mesmo na fofura desconfortante da Senhora Minuto (Tara Strong é excelente no que faz, ponto final). Resta saber se na próxima temporada os showrunners vão focar nisso agora que já cumpriram o papel de pavimentar de verdade o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel.

Astranum

Mesmo tendo iniciado minha jornada mundo afora bem cedo através de uma escola de magia num castelo camuflado, foi numa colina em Long Island com campos de morangos que encontrei o lugar ao qual posso agradeçer por ter feito parte da minha juventude. Hoje vivo transitando entre o Templo do Ar do Leste e uma cafeteria em Shibuya.