Mieruko-chan | Primeiras Impressões

Mieruko-chan | Primeiras Impressões

E olha só, até mesmo os animes de temporada voltaram a dar as caras aqui pelo blog, quem diria que com organização e um pouco de compromisso as coisas podem dar certo?

Enfim, deixando a euforia um pouco de lado, Mieruko-chan é o anime que vai abrir nossa temporada de Outono, a última desse ano de 2021. A história nos mostra a vida de Mieruko, uma garota aparentemente normal no colegial, mas que começa a ver espíritos assustadores que não sabem que estão sendo vistos, e que somente ela enxerga. Ao perceber isso, ela decide ignorar essa habilidade como uma forma de escapar da situação, agindo como se nada estivesse acontecendo. Derivado do mangá homônimo publicado desde 2018, a obra ganha vida pelas mãos do estúdio Passione (Citrus, Rokka no Yuusha) e dirigido por Yuuki Ogawa (Hajimete no Gal, Miru Tights, Ishuzoku Reviewers) que, bem…

Só pelo seu histórico já justifica o principal problema desse primeiro episódio.

Para um anime de temporada até que foi uma estreia ok, nenhum grande defeito tirando o fato de termos um excesso de fanservice aqui. Sei que essa já é uma discussão batida e que de certa forma é natural esperar ecchi em animes, seja lá de que gênero ele seja, mas esse episódio mostrou claramente a importância de saber dosar esses momentos, eles foram um ponto de quebra negativo com frequência, sendo que em determinadas situações que tentavam passar um clima de suspense pela visão das assombrações se manifestando, ou de como Mieruko se esforçava para agir normalmente mesmo ficando claro seu pavor com o que estava vendo. Foram momentos bacanas que acabaram sendo estragados porque sempre tinha um ângulo de visão de baixo pra cima seguindo uma garota de saia, ou ela fazendo poses sensuais com frequência. Não leio o mangá mas algumas pessoas que acompanham dizem que ele tem sim cenas nesse sentido, mas não com essa frequência tão grande, então é esperar que o diretor dê uma segurada na mão aqui pra não estragar uma história com potencial.

Mas ela tem, de fato, algum potencial?

Olha, eu diria que sim!

Se tiver um problema, não reaja até ele sumir, esse é meu lema de vida.

Não é um conceito exatamente inovador e eu não me surpreenderia se já existisse algum anime nesse estilo por ai, mas é interessante. A forma como o problema central da trama é apresentado consegue cativar o espectador, em determinados momentos você consegue se colocar no lugar da Mieruko e no medo que ela sente cada vez maior a cada situação desse tipo. E podemos ver também que não é algo jogado na cara do espectador, é construído aos poucos, onde primeiro vemos a cena do cachorro latindo aparentemente para o nada, depois um corvo aleatório na escola, posteriormente diversos corvos juntos no fim do dia… O episódio vai aos poucos trazendo elementos de suspense para construir um bom clímax na cena do celular, os espíritos não são exatamente assustadores visualmente falando, as vezes até meio genéricos por serem parecidos, mas isso não chega a diminuir toda a sensação que a obra tenta te passar.

Os personagens, embora não muitos por enquanto, possuem detalhes únicos visualmente que os fazem ser marcantes e chamam a atenção, e isso fica bem claro nos olhos dos personagens, onde a Mieruko possui um semblante mais sombrio, até mais destacado devido a maquiagem contornando seus olhos, dando um ar mais pesado a ela; diferente de sua amiga Hana, que possui um semblante mais alegre, que combina bem com sua personalidade mais extrovertida. Nesse mesmo aspecto, outra personagem que possui um pouco desse semblante sombrio e mais carregado é a Yuria, a garota que interage com elas por um breve momento no episódio. Se eu tivesse que chutar, ela também deve ter algo nesse sentido de poder ver os espíritos tal qual a Mieruko, parece ser uma característica que diferencia essas personagens das outras.

Um outro problema desse episódio foi que ele poderia ser um pouco mais rápido no sentido de apresentar um porque da Mieruko estar vendo esses espíritos. Acabou que ele deixou uma sensação de estar incompleto para um episódio de abertura, faltou um ponto de virada que mostrasse para onde a história pretende ir, espero que no próximo episódio já possamos ver a história engrenando, tomando forma e algum direcionamento, seria uma pena ver ela se perdendo por se tornar repetitiva por exemplo, ficando somente em mostrar a personagem principal lidando com a presença dos espíritos em um estilo Slice of Life.

No mais é isso, a trilha sonora é boa, adicionaria facilmente no Spotify embora não seja tão marcante assim, porém o traço acaba me decepcionando um pouco. Eu não sei se estou exigindo demais dos animes de temporada, mas é um pouco desanimador pegar um deles para assistir e ver que tem outros trocentos animes com um traço genérico desses parecido por aí. Não estou dizendo que todos precisem ser um Eizouken da vida, mas seria bacana ver algo diferente mais vezes, um estilo de arte mais ousado buscando complementar a mensagem que o autor quis passar com o anime. Enfim, isso não é algo exatamente comprometedor a obra, é mais uma crítica minha mesmo.

Então ficamos por aqui, os textos enfim estão de volta e eu fico feliz por perceber que ainda consigo escrever alguma coisa, me senti um analfabeto funcional por não conseguir produzir nada por um mês, mas finalmente agora foi (porém continuo triste por ainda não saber fazer introdução nem encerramento de texto, isso pelo visto não muda haha).

Até o próximo artigo, pessoal!

Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?