Platinum End #01 – O que é a felicidade?

  Ser deus é algo cíclico, até o cansaço pesar em seus ombros e levar a reclusão. Com o cargo vago, treze anjos devem procurar entre os humanos por candidatos, na tentativa de sobreviver a disputa e, com isso, transcenderem a sua humanidade. Neste cenário, uma anjo inexperiente intervém para salvar a vida de um adolescente prestes a acabar com sua vida. Com isso, ambos se lançam nessa disputa de poder com consequências fatais. Sobre essa premissa, começamos a acompanhar Platinum End, o novo mangá trazido pela JBC. Escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, os famosos autores de Death Note, a série começa buscando refletir sobre o significado da felicidade e o significado de uma divindade. Uma nova “obra-prima” surgindo no horizonte, ou mais um mangá pra ser jogado fora? Ou será que é apenas bom e estamos chatos demais querendo que tudo seja perfeito? Vamos descobrir!

Título nacional: Platinum End
Autor(es): Tsugumi Ohba; Takeshi Obata
Gênero(s): Shounen
Editora original: Shueisha
Editora Brasileira: JBC
Início da publicação no Brasil: Abril de 2018
Formato: 13,5 x 20,5 cm
Miolo: Papel jornal
Periodicidade: Bimestral

  Bom, como todo começo de um mangá, somos apresentados ao protagonista, Mirai Kakehashi, um jovem que não tem mais vontade nenhuma de continuar vivendo. Além de perder seus pais e irmãos em um terrível acidente, era maltratado todos os dias pela sua por seus tios e primos. Cansado de sua vida infeliz, o jovem se joga de um prédio no dia de sua formatura, na tentativa de cometer suicídio e acabar com sua dor. É nesse momento que ele conhece Nasse, uma anjo, que evita sua morte, lhe concede poderes e a chance de encontrar um caminho para a felicidade. Isso claro, sem contar a oportunidade de se tornar o próximo Deus!

  Primeiro de tudo, é um fato que as comparações com as outras obras da dupla Ohba/Obata são inevitáveis. Death Note e Bakuman são mangás ótimos, aclamados pela crítica e com fãs no mundo todo, e quando vemos que essa mesma dupla está produzindo uma nova série, ficamos na expectativa de uma nova grande história. E acho que esse vai ser o grande problema de Platinum End. O público de animes e mangás no geral, não só eles eu diria, vivem nessa ilusão de que o mundo tem que ser perfeito e que todas as obras tem que ser maravilhosas. Então a pessoa pega um mangá carregado com todo esse estigma, lê e se decepciona, pelo fato do mangá ser simplesmente bom.

  Sim, Platinum End não é ruim, pelo menos não por enquanto. Esse primeiro volume consegue ser o começo da construção de uma boa narrativa, onde temos a situação sobre Deus “se aposentar” em 999 dias, e que por isso treze candidatos foram selecionados por anjos para o substituir, incluindo o nosso protagonista, claro. Nessa parte é interessante notar como os anjos escolheram esses candidatos, fiquei com a sensação de que os anjos da guarda foram escolhidos de forma aleatória: Nenhum dos candidatos são escolhidos por algum tipo de bússola moral. Isso fica claro quando vemos como o primeiro candidato morto usa os poderes que recebe (pelo pouco tempo que aparece vivo), ou pela forma que o assassino os usa, ele decide se transformar em um herói dos quadrinhos, afinal os heróis são os grandes deuses das histórias. Fora que o mangá consegue ilustrar bem como os valores e a moralidade humana são facilmente ignoradas quando temos o poder de subjulgar o próximo, ou até matar. Nossa bússola moral se torna simplesmente uma farsa quando atingimos um patamar divino, e todas as nossas vontades dependem apenas do nosso bel prazer.

  Sobre a parte visual, é o Obata né, chega a ser redundante falar que a arte dele, mais uma vez, está incrível. Poderia dizer que Platinum End parece uma desculpa para ele se dedicar por completo ao seu amor pelas tapeçarias de mangá semi-bíblicas que tornaram Death Note tão marcante no aspecto artístico. Platinum End, de longe, é o trabalho mais bonito que os dois construíram, combinando detalhes de fundo complexos e ao mesmo tempo maravilhosos do Obata, e a caracterização dos personagens tão precisos, quase de forma exagerada, para conseguir chegar em um produto final que seja tão frio e realista, mas ao mesmo tempo impressionante.

  Platinum End – Vol. 1 consegue prender sua atenção do início ao fim. A interação entre o Mirai, um jovem cheio de incertezas e medos, que procura um caminho para encontrar sua felicidade, que seria sua razão de viver, e a Nasse, uma anjo que demonstra uma completa indiferença com assuntos e situações que para nós são completamente absurdas e assustadoras, até bizarras. O volume termina com um bom gancho para o próximo, onde temos um pequeno vislumbre do interesse amoroso do protagonista, em como será trabalhado a sua convivência com o surpreendente acontecimento final, que com certeza irá mudar seus planos para o seu futuro nesse battle royal. Embora no meio do volume você pode acabar cansando um pouco com o ritmo e com a grande quantidade de acontecimentos e informações passadas ao leitor, com o passar dos capítulos isso vai se ajeitando e, no fim, temos um saldo positivo quanto a isso.

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Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?