Platinum End | Primeiras Impressões

Platinum End | Primeiras Impressões

Acho que encontrei o anime que vai me fazer passar raiva na temporada, e melhor que isso, na próxima também porque ele terá dois cours. É inacreditável pensar que algo carregando o nome de Ohba/Obata possa ser tão mal feito, mas é isso que estamos vendo aqui.

O anime da vez é Platinum End, dirigido por Kazuchika Kise e feito pelo estúdio Signal.MD (Net-juu no Susume, Mars Red). Nele acompanhamos a história de Mirai Kakehashi, a partir do momento em que ele decide tirar a própria vida saltando de um prédio. No último instante, porém, um anjo o salva e lhe concede duas habilidades fora do comum, asas que lhe permitem voar em qualquer velocidade, e uma flecha que faz com que qualquer pessoa se apaixone por ele. Contudo, junto com esses poderes vem o desafio que mudará sua vida: ele tentará sobreviver contra outras doze pessoas pelo posto de Deus!

Bom, entre os animes que estão estreando esse era o mais esperado desse fim de ano, muito por conta do histórico de seus criadores em animes como Death Note e Bakuman, mas só pelo primeiro episódio já dá pra dizer que vai ser uma péssima experiência, começando pelo protagonista e como ele é construído, porque age da forma que age, ou eu diria da forma que ele não age. Digo isso pois ele é claramente não-orgânico, nada que acontece ao redor dele gera uma reação natural que qualquer ser humano na mesma situação teria, a não ser quando o roteiro quer que ele tenha alguma reação mais extrema, depois ele volta a ser tão expressivo quanto uma porta.

Tudo bem que ele teve uma vida sofrida, perdendo a família muito cedo e sendo maltratado desde sempre pela família dos tios, mas poxa, que tipo de pessoa acaba de ser salva por um ser sobrenatural, recebe um par de asas, vai a lugares ao redor do mundo num piscar de olhos e continua com a mesma expressão, o mesmo tom de voz profundo e triste… Nós já entendemos que ele é alguém deprimido, não precisa tirar a humanidade do personagem pra passar essa ideia, só acaba deixando ele caricato, não faz sentido ele agir como age.

Aliás, essa poderia ser uma frase que se aplica a tudo nesse episódio: nada faz sentido. É impressionante a capacidade que o roteirista teve de apresentar novas informações e reflexões para segundos depois fazer elas caírem em contradição. A anjo, Nasse, tinha uma missão, encontrar o rapaz e avisar sobre a batalha q ele irá fazer parte, mas por algum motivo ela decide passar três dias jogando informações gratuitas na cara do Mirai pra só depois “lembrar” que tinha que contar isso a ele? Mas como assim?

E não são poucas vezes que isso acontece não, é um festival de diálogos expositivos e de ações com motivações vazias. Do nada é importante falar que os tios dele mataram seus pais, em uma ação que claramente não foi acidente, qualquer perito descobriria analisando. E é óbvio que precisa ter algum fanservice quando ele vai na casa dos seus tios descobrir se eles realmente mataram seus pais e convenientemente somente sua tia está lá para receber a flecha do amor e ficar em diversas poses sugestivas, mesmo depois de morta. E como ele foi parar no topo daquele prédio mesmo, no início? Ao menos faz ele saltar de uma ponte, tenta tornar as coisas mais verossímeis, não é difícil.

E fica ainda mais claro que o roteirista se perdeu enquanto escrevia quando vemos as interações entre Mirai e Nasse. Ela pede para ele escolher os qual poder quer, ele pede os dois, como quem pede uma prova de que aquilo é sério mesmo, e ela diz que já daria os dois de qualquer jeito. Ou seja, é uma situação completamente inútil para a sensação que o roteiro tentou passar segundos antes. Aliás, até nesses poderes as coisas não fazem sentido. Voar ok, nenhum problema aqui, mas como uma flecha que aprisiona as pessoas num amor ilusório pode representar os conceitos de “amor” e “liberdade” que Mirai considera como felicidade? Ele não era o garoto que ainda há pouco achava que a liberdade estava no suicídio? (Detalhe para ele “virando a chave” sobre o conceito de felicidade depois de fazer sua tia se matar sem querer, que belo momento pra ter uma lembrança feliz de sua mãe)

Porque não refletir sobre isso em cima de uma poça de sangue da sua tia?

Olha, vai ser difícil não transformar esses textos em um momento de catarse, sinceramente. Eu sei que existe suspensão de descrença, mas isso é uma coisa, outra coisa é a obra querer me chamar de idiota nesse nível. No mais é aguardar que a questão da batalha de sobrevivência torne o anime interessante, porque a ação é a única coisa que pode salvar essa história. Se começarmos a ver algo no estilo Death Note, uma luta frequente de “mentes brilhantes”, vai ser a última pá de terra nesse anime.

Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?