Reload! #9 | E a briga entre cinema e streaming continua…

Reload! #9 | E a briga entre cinema e streaming continua…

Eu iria fazer um artigo sobre outro assunto, ia mesmo, mas sinto que temos um assunto mais pertinente no ar a ser debatido. Fora que estamos retomando o blog, vamos começar com um assunto mais leve, deixemos a polêmica para semana que vem, próxima segunda teremos um abacaxi pra descascar.

Serei aclamado? Cancelado?

Veremos!

Bom, nas últimas semanas não tivemos cinemas lotados, porém um assunto voltou a pipocar por todo o lado, o mais novo capítulo da guerra entre cinema versus streaming. E a polêmica da vez foi o processo que a atriz Scarlett Johansson está movendo contra a Disney por conta da forma como o (péssimo) filme Viúva Negra foi lançado, simultaneamente nos cinemas e via streaming pela bagatela de 70 reais (você não leu errado e nem está ficando louco, a menos que tenha pagado isso tudo pra ver o filme).

Por questões contratuais, a atriz teria direito a cerca de vinte milhões de dólares já pagos pela empresa, além de uma porcentagem da bilheteria, como é de costume para praticamente todos os atores e atrizes de Hollywood, porém Scarlett alega que o lançamento simultâneo diminuiu radicalmente seus ganhos, além do fato de ter lucro zero sobre o streaming.

É Kevin, acho que se tinham planos pra trazer ela de volta, já era…

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que ninguém previa uma pandemia afetando o mundo todo da forma como está afetando. Um filme, por mais simples que pareça, não deve demorar menos que dois anos desde o ponto em que a ideia foi concebida até chegar nos cinemas, então todo um planejamento feito pelos estúdios e pelas equipes envolvidas acabou indo por água abaixo, e nisso se incluem os contratos firmados para que os filmes pudessem ser concebidos.

A maioria, senão todos, não conseguiram ser cumpridos como deveriam por conta do fechamento dos cinemas pelo mundo. Em consequência disso, acabamos vendo uma aceleração do popularização dos serviços de streaming, que já vinham em uma crescente antes e que com o isolamento social aumentou vertiginosamente seu crescimento, colocando de vez a indústria em um período de transição diante de uma nova forma de assistir filmes e séries.

Dito isto, existe alguém realmente errado nessa situação, levando em conta todas essas condições?

Bem, sim e não.

Não adianta querer pintar a Disney como a empresa má, os malditos capitalistas sujos que só querem dinheiro. Um filme demanda muito dinheiro para ser feito, o próprio filme da Viúva Negra por exemplo: custou duzentos milhões de dólares para ser feito, sem contar o orçamento para o marketing do filme. Nesse valor entram equipes de filmagem, o pessoal da edição, produtores, diretores… enfim, pessoas e mais pessoas que esquecemos que estão lá por serem, assim como nós, empregados anônimos que estão apenas trabalhando. Isso sem contar, é claro, os atores e atrizes que fizeram parte do filme e não tem cachês exatamente baratos, principalmente em filmes da Marvel onde os atores se valorizam cada vez mais devido a exposição sempre crescente através dos anos.

Por outro lado, temos que ver que artista nenhum trabalha de graça. Por mais que vinte milhões já pareça muito dinheiro (ainda mais em dólares, já compra qualquer país da América do Sul), não podemos esquecer do conceito de valorização de imagem de um ator. O melhor exemplo dos filmes da Marvel que deixa isso bem claro é caso do Robert Downey Jr, que saiu de 500 mil dólares em seu primeiro filme para 75 milhões em Vingadores: Ultimato. Isso se deve ao fato de que o nome dele, a sua forma de atuar traziam cada vez mais retorno financeiro através dos anos, o que fez com que seu trabalho fosse mais e mais valorizado. Então, por isso a Scarlett ou qualquer outro ator/atriz não está errado em cobrar pelo fruto do seu trabalho, afinal a Disney não fez o lançamento simultâneo porque é atenciosa com os fãs que não se sentiam seguros em ir ao cinema, ela continua lucrando com a imagem da atriz que não viu nem a cor desse dinheiro.

Isso aqui sim seria transcender.

Então tem algum culpado nisso tudo? Na minha opinião, acho que o ego. Não, não é o planeta.
Nos últimos anos tem se tornado uma tendência ir até as últimas consequências para não se dar o braço a torcer, principalmente se você for famoso. Faltou um pouco de tato de ambas as partes nessa situação e um acordo podia ser facilmente feito já que tanto Disney quanto a atriz pareciam ter uma boa relação, afinal ela está estrelando os filmes do UCM desde o começo praticamente. Isso inclusive fica de lição para problemas futuros do mesmo gênero, o setor precisa aprender a negociar seus contratos se adaptando a mudança que já está acontecendo.

O streaming já não é mais uma grande tecnologia em ascensão, mas sim um marco, uma nova era na forma de se produzir e contar histórias para o público, então já estava passando da hora dos grandes estúdios abrirem os olhos diante disso, e principalmente aprenderem a conduzir de forma profissional esse novo passo da indústria. O cinema também não vai acabar de vez, como insistem em dizer os críticos de cinema que torcem o nariz para os filmes feitos para streaming, quando a televisão  foi criada o medo era o mesmo e continuamos aí, ambos coexistem normalmente. E isso acontece porque o cinema sempre será, além do entretenimento dos filmes, um ponto de encontro e de interação social, por isso é algo perene, embora pouca gente se sinta segura de ir em um lotado nos próximos anos, o que torna a melhoria da relação da indústria com o streaming algo essencial.

Não será a última vez que veremos um problema desse tipo acontecendo, já que a Emma Stone é outra atriz querendo processar a Disney pelo mesmo motivo. O fato de que não há como medir precisamente o quanto o streaming lucra com lançamento simultâneo para dividir com o artista é um problema, não são dados amplamente divulgados por qualquer serviço de streaming. Por conta disso, não tem muito como visualizar uma solução em casos de lançamento simultâneo se as plataformas não forem transparentes, fora o fato de que a Disney não parece disposta a desistir da prática abusiva do premier access, afinal tem sempre um babaca pra pagar 70 reais por um filme. Pelo visto tivemos apenas mais um round da longa briga entre o velho e o novo…

Qual será a próxima grande polêmica? Teremos um desfecho algum dia?

Vitto

Após fracassar em conseguir uma armadura de bronze, decidiu escrever sobre cultura japonesa. De vez em quando sai algo bacana. Já te disse que tenho um blog?